O Presidente do MPLA, nas vestes – por inerência – de Presidente de Angola, general João Lourenço, destacou hoje, em Adis Abeba, Etiópia, a perspectiva de cooperação “bastante animadora” entre África e outros continentes, frisando que o continente africano “tem muito a oferecer à Europa e ao mundo”.
O general João Lourenço, presidente em exercício da União Africana, discursava na segunda edição da Cimeira Itália-África, que decorreu hoje em Adis Abeba, capital da Etiópia, uma iniciativa que visa relançar a cooperação entre aquele país europeu e as nações africanas, refere-se numa nota da secretaria de imprensa da Presidência da República de Angola.
Segundo o comunicado, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e João Lourenço foram as figuras centrais do evento, “onde vários oradores sublinharam a pertinência de se estruturar um novo paradigma nas relações entre a Itália e África, que abandone, por exemplo, a exportação para a Europa de matérias-primas de África em estado bruto”.
Na sua intervenção, o Presidente do MPLA considerou o encontro entre a Itália e África como uma plataforma oportuna para conjuntamente procurarem encontrar caminhos que levem a um intercâmbio ativo de sinergias.
“África tem muito a oferecer à Europa e ao mundo, muito mais do que matérias-primas em estado bruto”, afirmou o general João Lourenço.
O líder da União Africana manifestou disponibilidade para as capacidades e contribuição de África na resolução da crise alimentar e energética que assola o mundo, desde que possam “receber capitais, conhecimento, tecnologias e outros meios capazes de alavancar o desenvolvimento e crescimento económico do continente”.
O chefe de Estado angolano realçou que África tem “desafios complexos devidamente identificados, entre os quais sobressaem fundamentalmente os que estão ligados à electrificação, à industrialização, à mobilidade, à educação e à saúde, associados em grande medida ao tema central da União Africana para 2026, que consiste em “assegurar a disponibilidade sustentável de recursos hídricos e um sistema de saneamento seguro para alcançar os objectivos da Agenda 2063”.
Segundo o general João Lourenço, o encontro entre África e a Itália demonstra uma convergência de interesses que deve ser aproveitada no máximo das capacidades que os dois lados dispõem, merecendo realce o facto de os parceiros italianos terem conseguido plasmar no Plano Mattei um conjunto de projectos que correspondem às perspectivas africanas de desenvolvimento.
A título de exemplo, João Lourenço destacou o Projecto de Desenvolvimento e Expansão da Cadeia de Valor de Angola, mais conhecido por PRODECAFÉ, que encara “como um contributo significativo” aos objectivos do país de diversificação da economia, de valorização da cadeia de valores de sectores-chave e de aumento da renda dos pequenos produtores.
“Este projecto resulta de uma parceria entre o FIDA [Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola], a Cassa Depositi e Prestiti, instituição financeira italiana, e o sector privado, o que evidencia que é possível criarem-se modelos de negócio economicamente integrados e consistentes do ponto de vista comercial”, disse.
A Cimeira Itália – África ocorre na véspera da Assembleia dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, durante a qual João Lourenço passará a presidência rotativa da organização ao Presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, que já anunciou que pretende focar-se na construção de pontes que ajudem a ultrapassar as divisões políticas regionais.


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